Raça Wagyu avança no Brasil e impulsiona carne premium
Reconhecida mundialmente pelo alto padrão de marmoreio e pela qualidade sensorial da carne, a Wagyu, traz a genética japonesa e começa a ganhar escala no Brasil, impulsionada pela mudança no comportamento do consumidor, pela valorização da carne premium e pela profissionalização da cadeia produtiva.
De acordo com dados do Programa Carne Wagyu Certificada, o número de animais abatidos cresceu quase 30% entre 2024 e 2025, saltando de 1.749 para 2.272 cabeças. Embora ainda represente um nicho dentro da bovinocultura nacional, o segmento mostra sinais claros de consolidação, com aumento na oferta, maior interesse de criadores e investimentos contínuos em genética, nutrição e padronização.
Demanda global sustenta valorização da carne Wagyu
O movimento observado no Brasil acompanha uma tendência internacional. Relatórios da consultoria Mordor Intelligence indicam que o mercado global de carne Wagyu movimentou cerca de US$13,9 bilhões em 2025 e pode ultrapassar US$20,9 bilhões até 2030, com taxa média anual de crescimento superior a 8%. A combinação entre alta demanda e oferta restrita mantém os preços elevados e reforça a atratividade do modelo.
No Brasil, cortes de Wagyu figuram entre os mais valorizados do mercado, com preços que superam R$2.000 o quilo, reflexo do alto grau de marmoreio, gordura entremeada que garante maciez e suculência. Estudos também associam esse perfil lipídico a características nutricionais diferenciadas, como a presença de ácido linoleico conjugado (CLA).
Consumidor mais exigente redefine a cadeia produtiva
A ascensão do Wagyu está diretamente ligada à mudança no perfil do consumidor. A carne bovina deixou de ser apenas um item de consumo, mas está associada à experiência, à origem e à qualidade. Essa transformação elevou o nível de exigência e pressionou a cadeia a investir em rastreabilidade, bem-estar animal, encurtamento do ciclo produtivo e padronização dos cortes.
Segundo a Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), a venda de doses de sêmen para gado de corte cresceu cerca de 5%, evidenciando que a genética se tornou atrativa. Para especialistas, decisões baseadas apenas na aparência do animal já não são suficientes: previsibilidade e desempenho passaram a guiar o setor.
Cruzamentos ganham força para ampliar a escala
Para acelerar a expansão sem perder qualidade, o modelo brasileiro aposta em cruzamentos industriais, principalmente com Angus, além de raças leiteiras como Holandês e Jersey. A estratégia permite ampliar a base produtiva e manter padrões de marmoreio, rastreabilidade e acabamento.
A remuneração diferenciada é um dos principais atrativos. Em alguns programas, animais cruzados recebem até 25% de bonificação sobre a arroba, enquanto carcaças com alto índice de marmoreio podem alcançar ágio de até 100%, conforme os critérios técnicos adotados.
De nicho a modelo de negócio
A evolução do segmento também é visível nos números das operações especializadas. Em propriedades estruturadas, a produção de carne Wagyu certificada mais que dobrou em um ano, com crescimento expressivo de faturamento e projeções de expansão para os próximos ciclos. Hoje, estima-se que existam cerca de 15 mil bovinos com genética Wagyu no Brasil, entre puros e cruzados.
Países tradicionais na carne premium, como Estados Unidos e Austrália, enfrentam redução de rebanhos e custos elevados, abrindo espaço para que o Brasil se posicione como fornecedor competitivo, desde que mantenha governança, padronização e certificação.
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