Remates de máquinas agrícolas movimentam milhões em operações
O início de 2026 trouxe mudanças para a indústria brasileira de máquinas e equipamentos, e no campo o comportamento tem seguido outras direções. Diante de crédito mais seletivo e custos elevados para aquisição de novos equipamentos, produtores rurais têm recorrido aos remates de máquinas agrícolas como alternativa para manter o nível de investimento sem comprometer o fluxo de caixa.
Dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos mostram retração nas vendas no primeiro trimestre, pressionadas pela concorrência com importados e pela redução no ritmo de aportes. Na prática, o produtor tem feito contas mais detalhadas antes de investir, priorizando eficiência e retorno direto na operação.
Esse movimento aparece com clareza nas negociações de equipamentos. Um dos exemplos recentes foi o remate Suprema, realizado em abril, que movimentou R$ 26 milhões entre máquinas novas e seminovas. Foram 85 lotes vendidos, com média de R$ 305 mil, incluindo tratores, colheitadeiras, caminhões e implementos. O resultado representa crescimento de 120% em relação à edição anterior e aumento de 40% no valor médio dos ativos.

Ao longo dos últimos 12 meses, foram 31 operações desse tipo somente pela Agroshop, somando mais de R$ 160 milhões em negociações.
“Eram máquinas que estão há mais de seis meses no nosso estoque e em condições especiais. Equipamentos com baixa hora, revisados e com possibilidade de pagamento em até 80 parcelas, o que é um grande diferencial. Foram realmente grandes oportunidades”, afirma [porta-voz], da Suprema.
O avanço não se explica apenas pelo preço. A confiança na operação tem peso crescente, principalmente diante de um ambiente em que negociações diretas ainda geram insegurança quanto à procedência e ao estado real dos equipamentos. Muitos golpes e empresas sem credibilidade. Parte dessa estrutura vem da atuação da Agroshop, empresa do grupo Programa Leilões, que levou para o mercado de máquinas a experiência construída ao longo de mais de cinco décadas na comercialização de ativos do agro. O modelo incorpora processos mais rigorosos de avaliação, com checklists técnicos, registros detalhados e padronização das informações, reduzindo assimetrias para quem compra.
A lógica de formação de preço também segue a dinâmica já conhecida do setor pecuário, dos leilões de animais. Os lances definem o valor final, em tempo real, criando um ambiente competitivo e mais transparente para o mercado. Outro fator que sustenta esse crescimento é a escala. A base de clientes da Programa, ultrapassa meio milhão de participantes distribuídos pelo país, o que amplia a liquidez e permite que equipamentos localizados em uma região encontrem compradores em diferentes estados, com apoio logístico e condições facilitadas em alguns casos.
Para o produtor, a decisão passa por uma conta direta. “O produtor está cada vez mais focado em custo por hectare e retorno sobre investimento. Ao adquirir uma máquina com deságio relevante, ele reduz o custo operacional e melhora a eficiência da produção, principalmente em um cenário de margem mais apertada”, explica João Vitor Horto, da Remate Web Agroshop.
A própria curva de depreciação favorece esse tipo de aquisição. Máquinas com poucos anos de uso já absorveram parte relevante da perda de valor inicial, mas seguem com desempenho elevado no campo. “Existe uma conta. O produtor entra em um ponto mais eficiente do ciclo do ativo, pagando menos por uma capacidade produtiva praticamente preservada”, completa. A digitalização ampliou ainda mais o alcance dessas operações. Transmissões via satélite, canais de TV rural e plataformas digitais conectam compradores de diferentes regiões, uma expertise também do grupo com a Remate Web e outras parceiras, com suporte de uma rede de profissionais técnicos e comerciais, ampliando a concorrência e a velocidade das negociações.
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