Plano Safra 2026/27 destina R$ 525 bi
O governo federal lança nesta terça-feira (1º) o Plano Safra 2026/27 para a agricultura empresarial com R$ 525,1 bilhões destinados ao financiamento de médios e grandes produtores rurais. O volume representa um crescimento de aproximadamente 2% em relação ao ciclo anterior e chega acompanhado de redução nas taxas de juros de diversas linhas de custeio e investimento.
Do total anunciado, R$ 384,9 bilhões serão destinados às operações de custeio e comercialização, enquanto R$ 140,2 bilhões financiarão investimentos voltados à modernização das propriedades rurais, aquisição de equipamentos, armazenagem e tecnologias para aumento da produtividade.
Entre as principais mudanças está a redução dos juros das operações de custeio. Para grandes produtores, a taxa cai de 14% para 12,5% ao ano. Já os agricultores enquadrados no Pronamp passam a contratar crédito com juros de 9% ao ano, antesos 10% praticados na safra passada.
As linhas voltadas à sustentabilidade também permanecem entre as prioridades do programa. O RenovAgro, destinado ao financiamento de sistemas de produção sustentáveis, terá taxas de 9,5% ao ano para grandes produtores. Já as modalidades voltadas à recuperação de áreas degradadas e regularização ambiental mantêm juros de 8,5% ao ano.
Na área de armazenagem, o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) terá uma das menores taxas da agricultura empresarial. Projetos com capacidade de até seis mil toneladas poderão ser financiados a 8% ao ano. Apesar da redução nos juros, o volume de recursos reservado para essa linha será menor em relação ao ciclo anterior.
O Plano Safra também prevê redução nas taxas para programas voltados à inovação, irrigação, cooperativismo e aquisição de máquinas agrícolas. No Moderfrota, principal linha para compra de tratores, colheitadeiras e implementos, os juros foram reduzidos, embora o orçamento disponível tenha sido significativamente menor do que o registrado na temporada anterior.

Outro destaque é o fortalecimento das operações realizadas por meio das Cédulas de Produto Rural (CPRs), que passam a representar uma parcela importante dos recursos disponibilizados. Esses financiamentos utilizam recursos captados via Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e outras fontes privadas, ampliando a participação do mercado no financiamento da produção rural.
Para os produtores enquadrados no Pronamp, o governo disponibilizará R$ 72,6 bilhões em crédito com juros controlados. Os demais produtores terão acesso a R$ 452,5 bilhões, concentrando a maior parte das operações com taxas livres negociadas pelas instituições financeiras.
Embora o novo Plano Safra amplie os recursos disponíveis e reduza parte dos custos financeiros, o montante ficou abaixo das expectativas apresentadas por entidades representativas do agronegócio, que defendiam uma oferta maior de crédito oficial para atender ao crescimento da demanda por financiamento nas propriedades rurais.
As novas condições entram em vigor com o início da safra 2026/27 e passam a orientar as operações de crédito rural contratadas junto às instituições financeiras credenciadas pelo Sistema Nacional de Crédito Rural.
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