Biosseguridade ganha espaço no leite
Antes de chegar à mesa do consumidor, o leite passa por uma série de decisões dentro da fazenda. A escolha de tratar ou não um animal, o controle da entrada de pessoas e veículos e o registro de cada ocorrência sanitária fazem parte de uma nova rotina de produção. A Certificação em Biosseguridade, desenvolvida pela Embrapa em parceria com a Boehringer Ingelheim, deve alcançar 160 propriedades leiteiras no Brasil e já aparece nas embalagens de produtos comercializados em supermercados.
O protocolo avalia mais de 140 pontos das fazendas, incluindo a saúde dos animais, as instalações, os processos de ordenha, a circulação de pessoas e veículos e o uso de medicamentos. A proposta é transformar recomendações sanitárias em procedimentos acompanhados e comprovados. Com o diagnóstico, cada produtor recebe orientações e metas para aprimorar as práticas da propriedade, reduzir riscos e melhorar o controle sobre a produção.

Na Fazenda Santa Luzia, em Passos, Minas Gerais, a adoção do modelo levou a uma redução de 50% no uso de antibióticos contra mastite clínica e de 70% nos tratamentos para tristeza parasitária bovina. Dos casos avaliados, 43% não exigiram medicamento. A medida evitou o descarte de 244,5 mil litros de leite por ano, em razão do período de carência dos produtos, e gerou um impacto econômico estimado em R$ 660 mil anuais. Na Fazenda Colorado, em Araras, São Paulo, a secagem seletiva também diminuiu o uso preventivo de antibióticos, mantendo o tratamento para situações com indicação técnica.
A mudança atende a uma preocupação que ultrapassa os limites da propriedade. O uso inadequado de antimicrobianos contribui para a resistência de bactérias, considerada uma ameaça à saúde pública. Ao chegar às embalagens, o selo de certificação permite que o consumidor reconheça empresas associadas a práticas de prevenção, controle sanitário e uso responsável de medicamentos. Para o setor leiteiro, a iniciativa cria uma referência de qualidade que pode abrir espaço para produtos com maior rastreabilidade e confiança no mercado.
Fonte: Embrapa Gado de Leite
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